Bradesco (BBDC4): O Turnaround que Surpreende o Mercado
O cenário financeiro brasileiro tem sido palco de uma reviravolta notável protagonizada por um dos gigantes do setor bancário: o Bradesco (BBDC4). Sob a liderança do CEO Marcelo Noronha, que assumiu o comando em novembro de 2023, o banco embarcou em um processo de turnaround robusto que já começa a colher frutos e a surpreender positivamente o mercado financeiro. A projeção é de que essa trajetória de crescimento e eficiência se fortaleça ainda mais até 2026.
Resultados em Ascensão e Retorno Sobre Capital Renovado
Desde a mudança de gestão, o Bradesco tem exibido uma melhora contínua e expressiva em seus resultados. Um dos indicadores mais observados, o retorno sobre capital (ROE), que mede a capacidade do banco de gerar lucro com o capital de seus acionistas, voltou a flertar com a marca de 15%. No terceiro trimestre de 2025, por exemplo, essa métrica alcançou 14,6%, um feito significativo após um período de estagnação.
“A gestão do CEO Marcelo Noronha tem sido fundamental para a retomada da trajetória de crescimento e eficiência do banco”, destaca Daniel Utsch, gestor de renda variável da Nero Capital. A expectativa é que essa recuperação se consolide, impulsionada por avanços em eficiência operacional, controle de riscos e a contínua digitalização do banco.
Pilares da Transformação: Eficiência e Digitalização
O turnaround do Bradesco tem como um de seus pilares centrais o investimento em ganhos de eficiência operacional, com um foco especial no segmento corporativo. A digitalização emerge como um motor crucial dessa transformação, permitindo a adoção de tecnologias que promovem maior automação, redução de custos e, consequentemente, uma melhor experiência para o cliente.
As medidas implementadas incluem o corte estratégico de custos operacionais. Isso se traduz, por exemplo, na otimização do número de agências físicas, que estão sendo transformadas em pontos de atendimento mais enxutos e eficientes – uma adaptação inteligente às novas tendências de mercado, onde o atendimento digital ganha cada vez mais espaço.
Controle de Riscos e Inadimplência sob Vigilância
Paralelamente aos ganhos de eficiência, o Bradesco tem aprimorado o controle da inadimplência, especialmente nas carteiras de crédito mais sensíveis, como as destinadas a pequenas e médias empresas. Uma gestão de risco mais rigorosa é fundamental em um cenário de juros elevados e incertezas econômicas, contribuindo para um retorno ajustado pelo risco mais saudável.
Sensibilidade ao Cenário Macroeconômico e Perspectivas para a Ação
É importante ressaltar que o desempenho do Bradesco é sensível ao cenário macroeconômico brasileiro. Variações na política monetária e no comportamento da inadimplência, em um ambiente de Selic em torno de 15%, impactam diretamente o banco. Essa característica o torna um dos mais sensíveis entre os grandes players às condições econômicas domésticas: em cenários favoráveis, seus resultados tendem a brilhar, enquanto em momentos adversos, a volatilidade pode aumentar.
Em termos de valuation, a ação do Bradesco apresenta múltiplos atrativos. Negociada a aproximadamente 1,2 vez o valor patrimonial e entre 7 a 7,5 vezes o lucro, a ação pode representar uma oportunidade interessante para investidores com visão de longo prazo, apesar das incertezas conjunturais.
Olhando para o Futuro: ROE em 20%?
A expectativa é que o retorno sobre capital do Bradesco possa evoluir para cerca de 20% nos próximos trimestres ou semestres. Embora o momento exato dessa marca seja difícil de prever, o avanço dependerá da continuidade do processo de turnaround, da evolução do cenário macroeconômico e da habilidade do banco em manter um controle eficaz sobre riscos e custos. O Bradesco (BBDC4) demonstra sinais claros de recuperação e potencial de valorização, consolidando-se como um nome a ser observado no mercado financeiro.