Groenlândia: EUA querem comprar, investir ou fazer parceria? Entenda as opções estratégicas

Yuri Kiluanji 08/01/2026

Groenlândia no Radar Americano: Interesses Estratégicos e Possíveis Cenários de Intervenção

Nos últimos tempos, a geopolítica global tem sido palco de movimentações que ultrapassam a esfera da retórica. Uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela marcou a transição de ameaças a ações concretas, elevando o debate sobre a intervenção americana no cenário internacional. No entanto, a atenção de Washington parece ter se voltado para um território distante e estratégicamente vital: a Groenlândia.

Um Interesse Histórico e Intensificado

O interesse dos Estados Unidos pela maior ilha do mundo não é novidade. Desde a posse de Donald Trump para seu segundo mandato, em 2025, essa cobiça tem se intensificado. A Groenlândia, uma vasta massa de terra e gelo com pouco mais de 56 mil habitantes, com status de região autônoma sob soberania dinamarquesa, possui uma localização geográfica de valor inestimável.

Geograficamente dividida entre a América do Norte e o Polo Norte, a ilha é de extrema importância para os EUA no contexto da crescente militarização do Ártico. A ilha se situa em rotas de transporte cruciais, como a Passagem do Noroeste e a Rota Marítima Transpolar. À medida que o degelo avança, essas passagens prometem reduzir tempos de transporte e oferecer alternativas aos tradicionais gargalos comerciais, como os canais de Suez e do Panamá.

Os Múltiplos Horizontes de Interesse Americano

Interesses Econômicos: O Potencial Mineral e a Transição Energética

Para além da relevância estratégica em rotas comerciais, a Groenlândia detém um vasto potencial de exploração mineral, com destaque para as terras raras, insumos essenciais para a transição energética. Recentemente, a ilha encerrou uma proibição de 25 anos à mineração de materiais radioativos, como o urânio, embora tenha proibido novas explorações de petróleo e gás.

Declarações e Ações de Trump: Autodeterminação e Alertas Internacionais

Desde seu retorno ao poder em 2025, Trump tem sido vocal sobre o desejo de os EUA administrarem o território. Declarações como a de que os EUA "iriam tão longe quanto fosse preciso" para obter controle da ilha, somadas à visita do vice-presidente J.D. Vance defendendo a autodeterminação groenlandesa com um convite para se unir aos EUA, geraram um clima de perplexidade e apreensão entre líderes europeus e dinamarqueses. A nomeação de um enviado especial para a Groenlândia, sem amparo legal aparente, apenas intensificou os alertas.

Opções em Discussão para o Futuro da Groenlândia

1. Compra: Uma Proposta Histórica com Obstáculos Modernos

A ideia de os EUA comprarem a Groenlândia não é nova. Conversas sobre o assunto remontam a meados do século XX, impulsionadas por depósitos minerais e planos estratégicos para conter a influência britânica. No entanto, essa proposta esbarra na falta de interesse da Dinamarca e da própria população groenlandesa, que almeja maior autonomia. O alto custo, ainda não calculado, também seria um empecilho considerável, especialmente diante da oposição republicana a gastos federais elevados.

2. Pacto de Livre Associação: Uma Via para a Autodeterminação e Cooperação Militar

Uma alternativa em pauta é a assinatura de um Pacto de Livre Associação (COFA), semelhante aos acordos existentes em nações do Pacífico. Tal pacto permitiria a operação irrestrita das forças armadas americanas no território em troca de proteção e serviços, necessitando, contudo, da independência groenlandesa em relação à Dinamarca. Os custos de tais acordos, baseados em subsídios fornecidos a outras ilhas, podem ser significativos.

3. Ação Militar: Uma Alternativa Controversa

Diante das ameaças recentes, a ocupação militar da Groenlândia não pode ser completamente descartada. Embora estrategicamente viável, especialmente considerando a Base Espacial Pituffik (antiga Base Aérea de Thule), essa opção certamente provocaria protestos de aliados europeus e membros da OTAN. Apesar de um acordo de defesa mútuo entre EUA e Dinamarca existir desde 1951, a reação europeia e a falta de unanimidade na OTAN representariam desafios consideráveis.

O Papel da Europa Diante da Ameaça

A União Europeia e seus membros mais próximos da Dinamarca enfrentam um dilema. A opção mais segura, mas arriscada, seria aguardar e torcer para que as instituições americanas limitem as ambições de Trump. Uma estratégia mais proativa envolveria uma cooperação discreta, porém substancial, com a Dinamarca e o governo groenlandês. O envio de forças militares europeias adicionais, defesa aérea e naval, e um apoio estratégico poderiam não apenas sinalizar maturidade e unidade europeia, mas também garantir a segurança da ilha em um Ártico cada vez mais disputado.

A segurança da Groenlândia, e por extensão a estabilidade do Ártico, pode ser alcançada através de uma cooperação europeia estruturada. A capacidade de implantação rápida da UE pode ser utilizada como um instrumento militar, não de provocação, mas de demonstração de força estratégica e união continental.

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