Em um dia decisivo para a democracia portuguesa, o antigo secretário-geral do PS derrota André Ventura com uma vantagem confortável na segunda volta das presidenciais, travando a ascensão da extrema-direita a Belém.
Lisboa, 8 de Fevereiro de 2026 – Portugal virou hoje uma nova página na sua História democrática. Num acto eleitoral marcado por uma forte polarização ideológica, António José Seguro foi eleito Presidente da República, derrotando o líder do Chega, André Ventura, numa segunda volta que mobilizou o país.
Os resultados preliminares, com cerca de 70% dos votos apurados, indicam uma vitória inequívoca do candidato socialista, que recolheu aproximadamente 64% dos votos válidos, contra os 36% obtidos por André Ventura. Estes números confirmam as projecções das principais agências de notícias, incluindo a Reuters, que dão como certa a eleição do antigo líder do Partido Socialista como o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém.
O Regresso do "Segurismo"
A vitória de António José Seguro marca um regresso político improvável e triunfante. Afastado da tracção política principal desde que perdeu a liderança do PS para António Costa na década passada, Seguro reapareceu como uma figura de estabilidade e sensatez num momento de agitação política.
A sua campanha, pautada pela moderação e pelo apelo aos valores constitucionais, conseguiu captar não só o eleitorado tradicional de esquerda, mas também uma vasta franja de eleitores de centro e centro-direita que, perante a alternativa radical, optaram pelo voto no candidato que garantia a manutenção do status quo democrático.
No seu discurso de vitória (esperado para as próximas horas), prevê-se que Seguro sublinhe a necessidade de "unir os portugueses" e sarar as feridas abertas por uma campanha dura e agressiva.
O Tecto de Vidro de André Ventura
Para André Ventura, a noite de 8 de Fevereiro de 2026 representa um misto de conquista histórica e derrota amarga. O facto de ter chegado a uma segunda volta das eleições presidenciais é, por si só, o ponto mais alto da história da extrema-direita em Portugal desde o 25 de Abril.
No entanto, o resultado final demonstra a existência de um "tecto de vidro" para o líder do Chega. Apesar de ter consolidado cerca de um terço do eleitorado – um número impressionante que reflecte o descontentamento de uma parte significativa da população –, Ventura falhou no objectivo de furar a chamada "frente republicana". A rejeição ao seu discurso e ao seu projecto político mobilizou o eleitorado moderado a sair de casa para votar no seu opositor, num movimento de voto útil que se revelou fatal para as aspirações do candidato do Chega.
A legenda "Não foi dessa", que circulou rapidamente nas redes sociais e na imprensa internacional, resume o sentimento de alívio de grande parte dos sectores políticos europeus, que temiam ver Portugal seguir o caminho de outras nações onde o populismo de direita assumiu o poder.
Análise dos Números
Segundo os dados avançados pela Reuters e confirmados pelas fontes locais:
- António José Seguro: ~64%
- André Ventura: ~36%
Esta margem, superior a 25 pontos percentuais, confere a António José Seguro uma legitimidade robusta para o exercício do cargo. Ao contrário de cenários de "vitória tangencial", o novo Presidente entra em funções com um mandato claro para defender a Constituição e actuar como árbitro imparcial do sistema político.
O Futuro Ciclo Político
Com a eleição de António José Seguro, abre-se um novo ciclo. O novo Presidente, conhecido pelo seu perfil institucional e pela sua aversão a rupturas bruscas, terá agora o desafio de coabitar com o Governo em funções e de gerir as expectativas de um país que enfrenta desafios económicos e sociais complexos.
A sua eleição é também um sinal de que, apesar do ruído mediático e do crescimento dos movimentos populistas, o eleitorado português continua a privilegiar perfis que transmitem segurança e previsibilidade. O "animal político" que muitos julgavam adormecido provou estar, afinal, em plena forma.
António José Seguro deverá tomar posse no dia 9 de Março de 2026, assumindo as suas funções como o mais alto magistrado da Nação, com a promessa de ser, como dizia o seu slogan, "Um Presidente para todos os Portugueses".