Doenças Tropicais Negligenciadas em Angola: Mapeamento Revela Alta Endemia em Mais de 300 Municípios

Yuri Kiluanji 30/01/2026
Doenças Tropicais Negligenciadas em Angola: Mapeamento Revela Alta Endemia em Mais de 300 Municípios

Angola Enfrenta Desafio Alarmante com Doenças Tropicais Negligenciadas: Um Novo Mapeamento Revela a Extensão do Problema

Angola está a lidar com um cenário preocupante no que diz respeito à incidência de Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs). Um recente mapeamento realizado pelo Programa Nacional de Combate às Doenças Tropicais Negligenciadas trouxe à tona números alarmantes, indicando que a maioria dos municípios angolanos é endémica para diversas destas enfermidades.

Esquistossomíase: Uma Preocupação Urgente

Um dos dados mais críticos divulgados pelo Ministério da Saúde aponta para 184 municípios endémicos com casos de esquistossomíase, de um total de 326 municípios existentes no país. Isso significa que mais da metade dos municípios angolanos são considerados focos desta doença, que tem um impacto significativo na saúde da população.

Outras DTNs em Risco: Filariose e Oncocercose

O mapeamento também revelou a extensão de outras DTNs endémicas em Angola. A filariose linfática, por exemplo, foi identificada como endémica em 74 municípios. Já a oncocercose, popularmente conhecida como a "cegueira dos rios", afeta diretamente 94 municípios angolanos, representando uma grave ameaça à visão e qualidade de vida de muitos cidadãos.

O Panorama das Doenças Tropicais Negligenciadas em Angola

Segundo Cecília de Almeida, coordenadora do Programa Nacional de Combate às Doenças Tropicais Negligenciadas, a OMS classifica 21 DTNs, das quais Angola registra a presença de dezasseis. Deste preocupante leque, quatro doenças se destacam pela sua alta incidência: a lepra, a dracunculose, a filária (filariose linfática) e o tracoma.

A Necessidade de Ação e Conscientização

Estes dados sublinham a urgência de intensificar os esforços de combate e prevenção contra as Doenças Tropicais Negligenciadas em Angola. A ampla distribuição geográfica destas doenças exige uma resposta coordenada e robusta, com investimentos em saneamento básico, acesso à água potável, diagnóstico precoce e tratamento eficaz. A conscientização da população sobre as formas de transmissão e prevenção é igualmente fundamental para reverter este quadro alarmante.

O mapeamento é um passo importante para direcionar as ações de saúde pública, mas a verdadeira batalha reside na implementação de estratégias eficazes e sustentáveis para erradicar ou, ao menos, controlar a disseminação destas enfermidades que afetam inúmeras vidas em Angola.

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