Economias Africanas: Projeções de Crescimento e Desafios Persistentes
O continente africano demonstra um potencial de crescimento econômico notável, com projeções otimistas para os próximos anos. O Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA) divulgou um relatório apontando para um crescimento de 4% em 2026 e 4,1% em 2027, um avanço em relação aos 3,9% registrados no ano anterior.
Um Cenário de Aceleração e Estabilidade
Segundo o relatório "Situação Econômica Mundial e Perspetivas para 2026" (WESP 2026), apresentado na sede da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, em Adis Abeba, essa aceleração é reflexo da maior estabilidade macroeconômica em diversas economias importantes do continente. Essa estabilidade tem o potencial de impulsionar tanto o investimento quanto os gastos dos consumidores.
Entretanto, Desafios Cruciais Persistem
Apesar das perspectivas positivas, é fundamental reconhecer que o caminho para um crescimento inclusivo e sustentável em África ainda enfrenta obstáculos significativos. Stephen Karingi, diretor da Divisão de Macroeconomia, Financiamento e Governação do UNDESA, destacou:
"O crescimento económico em África deverá aumentar para 4% em 2026 e 4,1% em 2027, contra 3,5% em 2024 e 3,9% em 2025; a aceleração reflete uma maior estabilidade macroeconómica em várias grandes economias, apoiando o investimento e os gastos dos consumidores".
No entanto, ele acrescentou:
"Apesar das perspetivas positivas, os elevados custos do serviço da dívida, o limitado espaço orçamental e a volatilidade dos preços das matérias-primas continuam a pesar sobre as perspetivas de crescimento inclusivo e sustentável em África".
Ventos Contrários e Barreiras ao Progresso
O documento do UNDESA reforça que, embora o crescimento africano se mostre resiliente, ele enfrenta "ventos contrários". Entre eles, destacam-se a diminuição da ajuda pública ao desenvolvimento, o aumento das barreiras comerciais e um ambiente comercial e financeiro global incerto.
Principais Obstáculos para o Desenvolvimento
O relatório do UNDESA ainda aponta outros desafios cruciais para o continente:
- A implementação lenta e desigual da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA).
- O fim da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), um acordo comercial importante.
- O problema generalizado do endividamento excessivo.
A Crise da Dívida e o Custo do Pagamento de Juros
O endividamento é um ponto de grande preocupação. O rácio entre a dívida pública e o PIB de África está estimado em 63% em 2025, um patamar significativamente acima dos níveis pré-pandêmicos. Mais alarmante ainda, o pagamento de juros está a absorver quase 15% das receitas do Governo. Esta situação é agravada pelo facto de que, mesmo com o regresso de alguns países aos mercados internacionais em 2025, cerca de 40% das nações africanas continuam em situação de sobre-endividamento ou em alto risco.
O Impacto no Desenvolvimento
Essa restrição orçamental limita severamente as despesas com o desenvolvimento, mesmo em economias que estão a avançar com esforços de reforma. O relatório conclui que o futuro do desenvolvimento sustentável em África dependerá da capacidade do continente em navegar estes desafios complexos e multifacetados.